BitTorrent 10 anos: a história de um dos mais utilizados protocolos para a transferência de arquivos

O cliente e o protocolo BitTorrent mudaram a forma como as pessoas obtêm vídeos, músicas e programas na Internet. Confira a sua história!

Por Felipe Augusto Cavalcante em 05/07/2011


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Quando ouvimos a palavra BitTorrent, ou simplesmente torrent, logo pensamos em aplicativos como µTorrent (uTorrent/mTorrent) e o próprio aplicativo BitTorrent utilizados para a troca de arquivos, mas este termo se refere primeiramente ao protocolo (conjunto de regras) envolvido na transferência. Tais regras definem, dentre outras coisas, como os clientes se conectam e como as partes de cada arquivo são transmitidas entre os computadores.

Nesta matéria, você encontrará as motivações para a criação desta importante tecnologia, bem como as mudanças que ela provocou na vida de milhões de pessoas através da Internet, impactando também nas poderosas indústrias do cinema e da música. Hoje em dia, podemos até mesmo receber e transmitir arquivos via torrent sem nem ao menos darmos conta disto.

O conceito BitTorrent extrapolou seu próprio aplicativo oficial, ganhando milhares de outrosO conceito BitTorrent extrapolou seu próprio aplicativo oficial, ganhando milhares de outros

A era pré-BitTorrent

No início do ano 2000, já existiam ferramentas importantes para a transferência de arquivos P2P (entre usuários) na Internet, como o revolucionário aplicativo focado em músicas [sd|softid="23478"], e o recém-nascido Kazaa. Este modelo de transferência se popularizou principalmente por sua forma descentralizada, e o que antes era feito por apenas um servidor passou a ser feito por milhões de pessoas.

O Kazaa apenas O Kazaa apenas "quebrava um galho" na hora de baixar músicas e clipes

Esta estratégia não somente dificultava o bloqueio da transferência de conteúdo protegido por propriedade intelectual, como também garantia a disponibilidade dos arquivos sob grande demanda. Infelizmente o Napster acabou sendo desabilitado. O Kazaa, diante da baixa confiabilidade do conteúdo e da transferência, já não se saía bem com a transmissão de arquivos e pacotes grandes.

Nasce uma ideia

Em 2001, Bram Cohen, um desenvolvedor norte-americano, começou então a idealizar uma forma de transferir arquivo diferente da utilizada pelo Kazaa, que permitia baixar as partes dos arquivos a partir de apenas uma fonte por vez, um grande problema diante das baixas velocidades de upload. Sob sua visão, deveria ser possível baixar as partes dos arquivos de várias outras pessoas ao mesmo tempo, aumentando a velocidade total.

Bram Cohen lançou o protocolo e distribuiu seu código em uma conferência de hackers
Bram Cohen, na foto, lançou o protocolo e distribuiu seu código em uma conferência de especialistas
A partir das definições iniciais, Bram terminou o protocolo BitTorrent ainda em abril de 2001 e a ferramenta que permitiu sua utilização no dia 2 de julho, batizando-a com o mesmo nome. A tecnologia ficou escondida até que, em 2002, o desenvolvedor a apresentou em uma conferência de hackers de forma gratuita e de código aberto para a troca online de grandes arquivos focados no sistema Linux.

A explosão

Diante da confiabilidade das transmissões, com múltiplos mecanismos de verificação do download e o poder de transmissão conseguido com o envio compartilhado por todos aqueles que também baixam os arquivos, foi fácil encontrar novos usos para o BitTorrent. As pessoas passaram a compartilhar vídeos capturados a partir de seriados de TV, CDs de instalação de aplicativos e jogos, filmes e discografias completas.

Surgiram milhares de novos clientes utilizando o protocolo BitTorrent, como o popular uTorrentSurgiram milhares de novos clientes utilizando o protocolo BitTorrent, como o popular uTorrent

Com a transmissão indiscriminada de conteúdo protegido por propriedade intelectual, em pouco tempo, as grandes indústrias que os produziam começaram a lutar judicialmente contra o aplicativo e, consequentemente, o protocolo BitTorrent. Felizmente ficou entendido que a tecnologia e o aplicativo BitTorrent não eram o problema em si, mas sim um meio utilizado de forma incorreta para a disseminação ilegal de conteúdo.

Aviso padrão colocado em páginas retiradas do ar por infringir propriedade intelectual

Aviso padrão colocado pelo governo americano em páginas retiradas do ar por infringir propriedade intelectual

O sucesso das transmissões via torrent foi confirmado em dezenas de estudos e pesquisas ao redor do mundo. Em 2009, por exemplo, um estudo realizado pelo instituto de pesquisa IPOQUE apontou na época que cerca de 35% de todo o tráfego da Internet era realizado através da tecnologia BitTorrent seguido pelo HTTP com 18% (usado para a navegação) e Gnutella 12%. Diante deste cenário, muitas empresas de comunicação passaram a limitar o uso das conexões para o download de torrents, principalmente nos Estados Unidos.

Os polêmicos trackers

O termo tracker, no mundo BitTorrent, refere-se aos servidores que tratam de mapear os clientes conectados de acordo com o conteúdo desejado, informação esta levantada inicialmente através dos famosos arquivos com extensão .torrent. Desta forma, para compartilhar um arquivo, é preciso registrá-lo em um tracker e distribuir um arquivo .torrent com o seu endereço e informações mais detalhadas sobre o conteúdo.

O serviço suéco The Pirate Bay já resistiu à dezenas de processos diferentes
O serviço sueco The Pirate Bay já resistiu a dezenas de processos diferentes

Ao longo do tempo, surgiram dezenas de agregadores e trackers que facilitavam a disseminação de conteúdo de forma ilegal. Dentre os mais famosos estão The Pirate Bay, Mininova e SuprNova.org. Sites e serviços como estes são constantemente acionados na justiça pela distribuição ilegal de conteúdo, saindo temporariamente do ar e voltando pelo amparo das leis existentes nos países em que estão hospedados.

BitTorrent nos dias de hoje

Assim como ocorreu com distribuição digital de músicas MP3, que acabou ganhando diversas lojas digitais como a iTunes da Apple, também foram encontradas formas de distribuição em massa de conteúdos legais via Torrent. Como exemplos existem distribuições do sistema operacional Linux, e até mesmo filmes distribuídos gratuitamente como Big Buck Bunny e The Tunnel.

O projeto do filme The Tunnel aproveita a distrubição via BitTorrent à seu favor, reduzir os custos

O projeto do filme The Tunnel aproveita a distribuição via BitTorrent a seu favor, ampliando o público e reduzindo custos

Um dos principais casos de sucesso da tecnologia utilizada a favor da legalidade é o aplicativo Blizzard Downloader, utilizado pela Blizzard para distribuir jogos e atualizações de forma híbrida com BitTorrent entre os jogadores e downloads diretos dos servidores. Com esta estratégia, a empresa consegue grande eficiência para distribuir o conteúdo para grandes quantidades de pessoas, mesmo geograficamente distantes, sem sobrecarregar seus próprios servidores.

 

Quando estiver baixando os jogos World of Warcraft, Starcraft II e outros da empresa você pode estar utilizando o BitTorrent

Quando estiver baixando os jogos World of Warcraft, Starcraft II e outros da empresa, você pode estar utilizando o BitTorrent 

O futuro dos Torrents

Em entrevista concedida ao Superdownloads em Março de 2010, Eric Klinker, CEO da BitTorrent, reforça a importância do BitTorrent para a transferência de grandes arquivos pela Internet e aposta na inovação para manter esta tecnologia sempre no topo, dentre elas, algumas pesquisas realizadas com o objetivo de torná-lo mais amigável para as redes, deixando de tornar todas as outras aplicações lentas durante um download.

Todos os anos passados, desde sua criação e os milhões de pessoas que o utilizam hoje em dia, marcam o BitTorrent como uma tecnologia que veio para ficar e melhorar com o tempo. Mesmo assim, caso um dia desapareçam o aplicativo ou protocolo em sua síntese, podemos ter certeza de que seu sucessor com certeza terá sofrido alguma influência daquilo que Bram Cohen imaginou 10 anos atrás.

Parabéns BitTorrent!

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