O que é o Anonymous?

Entenda as ideias do grupo que inaugurou uma nova etapa no ativismo online, unindo hackers e causas que beneficiem a sociedade

Por (Model.Autor.Nome) em 02/02/2012


O anonimato nunca esteve tão em voga. Atualmente, um movimento de hackers tem se manifestado mundialmente em prol de causas que beneficiam a sociedade, sem medo de peitar o FBI ou qualquer governo. Assim é o Anonymous, que ganhou ainda mais destaque dentro (e fora) da web após os protestos contra o fechamento do Megaupload em janeiro de 2012.

O grupo surgiu em 2003 em fóruns e sites de compartilhamento de imagem, como o 4Chan. Seu nome faz referência à cultura de internet, principalmente a sites que permitem publicações de usuários - aliás, quem nunca postou alguma coisa como "anônimo"? De fato, sob uma alcunha dessas, qualquer um pode fazer parte do grupo.

Qualquer um mesmo, já que não é difícil se inscrever (basta mostrar conhecimento técnico para contribuir ao grupo). Portanto, você pode estar convivendo diariamente com alguns Anonymous sem saber. Isso revela o senso de humor do movimento, que rapidamente ganha novos integrantes e se espalha, como um verdadeiro meme da internet.

 Hackers do Anonymous estão fazendo sucesso na rede

Hackers do Anonymous estão fazendo sucesso na rede

V, Guy Flawkes e Alan Moore

A maioria dos heavy users já se acostumou a ver as máscaras de Guy Flawkes, egressas da graphic novel V de Vingança (cujo roteiro é de Alan Moore e o desenho, de David Lloyd). O verdadeiro Flawkes foi peça-chave na Conspiração da Pólvora, um atentado para matar o rei Jaime I da Inglaterra, em 1605. Por mais que nada tenha dado certo naquele 5 de novembro, o personagem tornou-se um ícone do espírito anárquico, e a personificação do Anonymous.

Sem uma liderança definida, os participantes do movimento se organizam nas redes sociais e fóruns, estabelecendo os objetivos de suas ações, além das maneiras de executar seus planos. Todos os membros trabalham impulsionados por ideias libertárias, sem qualquer desejo de reconhecimento (uma das razões para o anonimato, além da segurança - é claro).

Foi em 2006 que o grupo realizou sua primeira atividade em conjunto, quando uma criança de 2 anos, portadora do HIV, foi proibida de usar a piscina de um parque de diversões no Alabama, EUA. Em protesto, o Anonymous invadiu uma área no Habbo (aquela rede social meio cartunesca que imita um hotel). Todos os membros usaram o mesmo avatar: de um homem negro com cabelo black power, bloqueando o acesso à piscina, com o aviso de "Fechada devido a AIDS". Quando esses usuários foram banidos da rede, eles alegaram racismo. Foi uma pequena ação, mas que mostrou as inclinações e direcionamentos do grupo.

Eles sairam das páginas das HQs, desafiam poderoso nas páginas da internet e agora tomaram de assalto as páginas da mídia

Sairam das páginas das HQs, desafiam poderoso nas páginas da rede e tomaram de assalto as páginas da mídia

Ativismo e muito barulho na internet

Anos depois, em 2011, o Anonymous já alçava voos mais altos (e fazia muito mais barulho). Em setembro deste mesmo ano, o grupo apoiou o movimento Occupy Wall Street, nos EUA. Tratava-se de um protesto contra a influência das grandes corporações no governo. Quando a polícia retirou os ativistas do local da manifestação, o Anonymous revidou, ao expor dados pessoais dos policiais envolvidos na ação.

Um mês depois, mais de 1500 usuários do site Lolita City tiveram seus dados expostos, sob a acusação de tráfico de 100 gigabytes de imagens com pornografia infantil.

Mas a luta pela qual o Anonymous tem se tornado mais conhecido é a da liberdade na internet. Ela começou em 2006, quando o radialista norte-americano Hal Turner processou (e perdeu) os fóruns que serviam de casa para o movimento.

Logo depois, em 2008, a Igreja da Cientologia pediu para que um vídeo de Tom Cruise, promovendo a religião, fosse retirado do YouTube. Os anônimos consideraram o episódio um ato de censura. Então, atacou sites relacionados e passou trotes (por telefone) para a Igreja.

Quando instituições tentaram desativar as páginas de torrent, como o Pirate Bay, foi criada a Operation Payback ("Operação Vingança", em tradução livre), que derrubou, por 30 horas, os sites de organizações que coordenam a distribuição de produtos com direitos autorais. Foram alvo, também, empresas de advocacia envolvidas nos processos - além do compartilhamento de e-mails de uma dessas empresas, que continham informações sobre milhares de usuários envolvidos com a livre distribuição de conteúdo na web.

Meses depois, essa operação se concentrou em apoiar o WikiLeaks, atacando o site do PayPal, Mastercard e Visa, entre outros, depois que essas empresas retiraram as opções dos usuários contribuírem, por meio desses sistemas, com o site de Julian Assange.

Julian Assange e o Wikileaks já foram defendidos pelo Anonymous

Julian Assange e o Wikileaks já foram "defendidos" pelo Anonymous

A luta contra a Sopa

Em meio à polêmica da Sopa, o Anonymous se mostrou (obviamente) contra essa lei. Quando (em 19 de janeiro de 2012) o site Megaupload foi fechado pelo FBI, o grupo tomou medidas drásticas: fechou 14 websites, como o da Universal Music, da Casa Branca, do Departamento de Justiça dos EUA e até do próprio FBI. A próxima batalha deve ser travada contra o Anti-Counterfeiting Trade Agreement (Acta).

Frente à segurança desses sites, o Anonymous ganhou status de um Davi que está pronto para encarar a guerra cibernética pela liberdade. E é claro que, com essa fama toda, surgem boatos de novos ataques, dos mais diversos tipos. Por isso mesmo, toda ação de hackers em grande escala tem sido atribuída ao grupo, mesmo aquelas que vão de encontro ao que o movimento tem defendido.

A intenção do grupo não é deixar nenhum usuário da internet com medo. Pelo contrário, eles deixam claro que suas vítimas são as grandes corporações e governos, justamente aqueles que podem tirar a liberdade de quem navega na web. Há até mesmo um tutorial de como se defender na rede, feito pelo grupo para os internautas.

A ideia é essa, ser um grupo civil com força suficiente para enfrentar o poder institucional. Ainda mais no Brasil, que tem um histórico de ditadura que ainda é recente, não é difícil ver o Anonymous como uma nova espécie de heroi.

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