A Orkutização do Facebook será um processo reversível?

Velhos vícios são herdados da antiga rede social, irritando e afastando usuários

Por (Model.Autor.Nome) em 13/06/2012


O Facebook é a rede social com o maior número de brasileiros cadastrados, título que demorou muito tempo para arrancar do Orkut, que após tantos anos, falhou por deixar de implementar novidades ou renovar conceitos integrados de comunicação.

Algum tempo atrás, o Face era uma rede dedicada aos usuários mais antenados e jovens, o que lhe garantiu uma certa elitização, enquanto que o Orkut era disseminado pelas massas. O jargão "Volta para o Orkut, oferenda" já foi muito utilizado quando usuários do Facebook apresentavam comportamentos condenados e recorrentes, típicos dos usuários do Orkut.

Após longos meses, a migração entre redes sociais se consolidou, a ponto de quase todos os usuários do Orkut criarem contas no aplicativo de Zuckerberg. Esses mesmos usuários, ao repetirem velhos hábitos inconvenientes da antiga rede, criaram um mal estar dentro da nova, a ponto de muitos usuários condenarem o Facebook, por entenderem que ele já está "orkutizado". E mais: argumentam alguns que o fenômeno da "orkutização" do Facebook é irreversível. Será? 

Os Sintomas da Orkutização 

1- Usuários "Fakes"

Há dois tipos de Fakes, ou usuários falsos: aqueles espíritos de porco que juntam fotos inverossímeis e atribuem-se nomes estranhos para anarquizar na Internet, e existem aqueles mais perigosos: os "ladrões" de identidades. Normalmente, são pessoas que incluem fotos e nomes de indivíduos reais e comuns para denegrir os mesmos ou para tirar qualquer tipo de vantagem.

O Facebook, assim como o próprio Orkut, possui ferramentas para denunciar abusos - e é obrigado a fazê-lo por lei. A solução, em tais casos, é confirmar a identidade do "amigo" através da verificação de autenticidade de situações comuns ou por telefone mesmo. Se os dados não baterem, bana o(a) impostor(a)!

É possível desfazer a amizade pelo Facebook da seguinte forma: entre no perfil do potencial impostor, no ícone das "Ferramentas", clique em "Desfazer Amizade" (nesse caso, você não vai mais enxergá-lo na lista, nem ele vai ver você na lista de contatos) ou em "Denunciar/Bloquear...", que é a opção mais correta nesse caso.           

Desfazer amizades no Facebook é uma saída para amigos incovenientes

Para desfazer amizade bastam dois cliques

 

2- O "bendito" spam

Desde que as empresas perceberam oportunidades de prospecção de marcas e produtos nas redes sociais, passaram a criar perfis com nome de empresas, comunidades e a veicular anúncios para promoção comercial. Isso não é necessariamente mau, mas pode cansar, por exemplo, quando você está falando do cabelo de sua amiga e aparece alguém comentando sobre uma nova marca de shampoo e condicionador... 

Você também pode resolver esse problema fazendo o bloqueio e a denúncia do usuário, como mencionado acima. Pode também usar a opção "Denunciar História ou Spam" no menu de contexto de cada mensagem do tipo.  

3- As correntes (também conhecido como "Se gostou, compartilhe") 

Fotos de pessoas supostamente desaparecidas, animais maltratados ou mutilados, textos de auto-ajuda, religião e promessas de prosperidade financeira. Sempre quando seguida do clássico "se gostou, compartilhe" ou "se gostou, curta", pode demonstrar carência afetiva ou a necessidade de obter alguma fama a qualquer custo. Daí a rede social deixa de ser um canal de troca de ideias para virar um mural de mensagens desconexas. 

Soluções possíveis: se você está incomodado apenas com uma foto ou história em específico, clique na seta à direita da mensagem e escolha "Ocultar História" para que ela saia de seu mural. Se a mensagem tem cunho ofensivo, use a opção "Denunciar História ou Spam". Agora, se o usuário que lhe perturba é um chato teimoso, você pode, no mesmo menu, cancelar a assinatura de mensagens e atualizações dele. 
  

Se você gostou desta dica, compartilhe

E por falar em mural e mensagens desconexas...  

4- Síndrome da Clarice Lispector 

Citações são inspiradoras e fazem refletir, especialmente quando proveem de personalidades consagradas. O problema é a repetição mecânica e a citação indiscriminada de frases já bem populares, que torna piegas demais o negócio, vulgarizando nomes como Fernando Pessoa, Clarice Lispector e do filósofo Nietzsche, que devem estar se revirando no túmulo de tanto terem seus nomes expostos. É também um pouco de pedantismo, porque algumas pessoas desejam aparentar mais erudição do que elas realmente possuem. 

Clarice Lispector usou do recurso poético para criticar a lentidão da rede

Conte-me como é ver uma montagem dessa todos os dias 

5- Facebook não é Twitter 

Apesar de dinâmico, o Facebook não é um microblog em que você precisa expor cada mínimo aspecto de sua intimidade a cada três minutos! É importante um pouco de discrição. Afinal de contas, imagine o seu chefe abrindo a sua linha do tempo e percebendo que você atualiza seu status a cada 5 segundos... É o complexo de subcelebridade.  

6- Para-choques de caminhão digital 

Falamos das citações dos grandes pensadores, mas o problema citado também se repete com frases simples e chavões repetidos ou reproduzidos a esmo, do tipo: "Fácil é falar de mim, duro é ser eu". A repetição cansativa e previsível, unida à falta de elaboração intelectual, transforma o Facebook num grande para-choques de caminhão da era digital. Só falta aparecer o "Se você quer amor e carinho, suba no meu Fordinho"... O jornalista Xico Sá, que reclamou esses dias do fim do encanto das frases de para-choque de caminhão, já tem um alento! 

Também tem o clássico, "Não sou dono do mundo, mas sou filho dele" 

7- As Indiretas 

Sinceridade e discrição são virtudes que fazem parte da educação básica. Mas muitas pessoas, de familiares a ex-chefes e funcionários, de antigos amigos a ex-namoradas utilizam o Facebook como um mecanismo para destilação de veneno: enviam "indiretas" a quem a carapuça servir. Normalmente, é possível identificar essas indiretas em frases envolvendo afirmações sobre falsidade, discriminação, amizade, tempo perdido, ciúmes e coisas assim.  Geralmente, essas colocações aborrecem o leitor que nada tem a ver com a questão e soam como falta de coragem de seu autor (ou compartilhador) dizer o que precisa ser dito à pessoa que deseja atingir com a mensagem.

O pior é que normalmente o alvo da indireta não lê ou não liga para o que está escrito, mas você acaba atacando, sem querer, pessoas que nada têm com o problema. 

  

Marque a droga do perfil e xingue muito. Mas com educação 

8- A falta de Semancol básica para distinguir o público do privado 

Cobranças de dívidas, revelações sobre "noitadas", segredos íntimos, confidências não são para se discutir no mural, como fez Ed Motta e muitos outros, dando uma publicidade indesejada para algo que deveria ser particular. No lado direito da interface do Facebook, você possui uma área de chat para conversar privativamente com os seus amigos. A conversa que se passar ali não será vista por ninguém, além de você e do seu interlocutor. 

Para evitar esse tipo de problema, você pode clicar, no topo, em "Página Inicial", "Configurações de Privacidade", "Linha do Tempo e Marcação" e determinar que ninguém possa postar nada no seu mural.

Diminua a exposição ao escolher quem pode ler seus posts 

9- Exageros e mentiras 

Assim como ocorria muito no Orkut e nos currículos profissionais, há muitas pessoas que mentem descaradamente a respeito da profissão que exercem, das empresas em que trabalham e sobre outras habilidades ou preferências pessoais. A ponto de haver gente, no Facebook, ironizando na parte sobre idiomas do perfil, declarando fluência na "Língua do P"...  

10- Ah, as fotos... 

Um hábito muito estranho " também muito irritante" é o de algumas pessoas associarem o seu nome a fotos suspeitas ou embaraçosas. Outra situação digna de nota negativa são os aplicativos para fazer calendários ridículos, efeitos psicodélicos ou realizar comparações completamente impertinentes sobre seus amigos, montando quadros bem bizarros, comparando-os com personagens de filmes e séries, por exemplo. 

Uma solução adequada: em "Configurações de Privacidade", "Linha do Tempo e Marcação", marque "Ativado" para as opções "Analisar publicações em que você foi marcado antes de serem exibidas na sua linha do tempo" e "Analisar marcações feitas por seus amigos em suas próprias publicações no Facebook".  

11- Jogos e miniaplicativos 

Fulano comprou um terreno para o Cityville. Beltrano o convidou para participar do "Meu Calendário". E assim por diante. Quando você reúne no Face um número razoável de amigos, estas solicitações acabam por tornar-se insuportáveis. 

Em "Configurações de Privacidade", "Pessoas e aplicativos bloqueados", você pode determinar quais usuários ficarão bloqueados (para bate-papo, postagem e convite à amizade, inclusive, e os aplicativos que não deseja usar)

       

 Diminua a quantidade de convites para aplicativos digitando o nome do próprio app

 

12- Convites impertinentes e "dicas" de prováveis amizades 

É um tópico especialmente dedicado às meninas. Conhece aquele chato de galochas que está sempre solicitando a sua amizade? Pois é! E aquelas dicas de amigos que relacionam sempre pessoas que você não gosta, que rompeu laços ou que nunca viu mais gorda? Haja... 

Use o gerenciamento de bloqueios para resolver esse problema, como indicado no passo acima.  

Enfim... 

A grande maioria das queixas a respeito do uso do Facebook tem a ver com o bom senso e com os conceitos mais básicos de educação. Não é a classe social ou o nível de cultura dos usuários que determina as ações impróprias ou indesejadas, mas a sua falta de conhecimento sobre as normas de etiqueta que devem ser seguidas na Internet.

A boa notícia é que é uma questão meramente comportamental, que pode ser alterada se as pessoas estiverem abertas a procurar, entender e aplicar informações sobre o tema; a má notícia é que se trata de uma cultura já firmada nas mentes de muitos usuários de Internet, o que é algo realmente difícil de mudar. 

Ultima dica: as grandes empresas e os entes públicos, na hora da contratação, costumam também investigar a vida online do candidato. Esbanjar espontaneidade sem perder o equilíbrio e sem comprometer a intimidade é o grande segredo para quem quer construir, na Internet, um perfil que, ao mesmo tempo, é simpático e sóbrio. 

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