Mundo Grátis S/A: uma internet onde é tudo "for free"

Tudo a R$ 0,00: conteúdo gratuito (e legalizado) será o futuro da internet? E quem paga as contas?

Por (Model.Autor.Nome) em 28/08/2012


 "Não existe almoço grátis", diria o economista Milton Friedman. A conta, todavia, nem sempre vem no término da refeição, especialmente num mundo em que conteúdo intelectual transita livre e gratuitamente pelas teias da grande rede.

Há alguns anos, o editor-chefe da Wired Magazine, Chris Anderson, escreveu sobre as mudanças no modelo de negócios envolvendo conteúdo digital. Suas reflexões, publicadas no livro "Free", chegaram à conclusão de que a cultura digital traz inexoravelmente o conceito de acesso gratuito aos produtos, quaisquer que sejam eles. E mais: que a novidade, cedo ou tarde, estaria alastrada e tomaria conta da economia convencional, a das ruas.

Exageros à parte, é irrefutável o fato de que a massificação da internet promoveu inúmeras mudanças no modelo econômico tradicional: as gravadoras, talvez, foram as primeiras a sentir os ventos de uma nova realidade. Com o trânsito livre das canções pelos nós da rede, os álbuns, na prática, tornaram-se espécies de brindes para promover os shows dos artistas, causando a desgraça financeira de muitas gravadoras (como a Abril e a Sony Music, que preferiram encerrar operações no país).

Num segundo momento, a indústria editorial passou pela mesma convulsão. Com a facilidade do usuário em acessar e intercambiar notícias e textos gratuitamente, muitos jornais e outros veículos entraram em crise, e nomes de calibre, como o The New York Times e a revista Business Week tiveram de migrar para o formato digital. Enciclopédias clássicas, como a Britânica, verteram para o mundo seus conteúdos, livres de qualquer cobrança, a reboque da Wikipedia.

Algo semelhante, agora, começa a chacoalhar a indústria do software: já temos ótimas suítes de escritório gratuitas, sistemas operacionais com licenças free, centrais de e-mail, agenda e diversos utilitários (como os antivírus) de graça - que antigamente seriam vendidos e a um valor bem salgado.

A pergunta correta deste novo modelo é: ele é sustentável? É possível garantir sua longevidade ou tudo não passará de um grande bolha fomentada pela especulação financeira, como a que estourou na bolsa eletrônica Nasdaq em 1998? É compatível com a nossa vida capitalista?

Como Chris Anderson pontua em sua obra, há sim, formas de geração de receita dentro deste novo modelo de negócios. Talvez não no nível altruísta que ele imaginou, mas algo que já é palpável atualmente.

 

1- Mudança do foco de atenção para o eixo de serviços

Antigamente, o conteúdo vendia-se por si mesmo. Mas quando tratamos de obras "digitalizáveis", o que se percebe é a mudança da fonte de receita para os serviços agregados. Assim, por exemplo, em vez de vender um site, vende-se a sua manutenção; em vez de vender o sistema operacional, vende-se o suporte técnico; em vez de vender-se o software comercial, vende-se a consultoria...

 

2- Somando valor agregado a partir de uma opção gratuita

Esse é um dos primeiros estágios da sociedade "freemium" que Chris Anderson previu. Na verdade, trata-se de uma estratégia de negócio que envolve um meio termo entre a primeira opção e o brinde. O fabricante (geralmente de software) oferece seu produto para consumo gratuito, mas agrega opções comerciais para os consumidores que querem se aprofundar em seu uso, como packs de modelos prontos e versões mais rebuscadas do próprio programa.

Na música, tal modelo é correntemente utilizado para atrair os colecionadores. Se por um lado músicas podem ser baixadas facilmente pela internet, um box temático com os maiores sucessos de sua banda favorita, com um livro encadernado e outros apetrechos, acaba por atrair o consumidor pelo diferencial do valor agregado.

 

3- Amealhar o maior número de pessoas (audiência) para vender publicidade

A publicidade é uma velha fonte de receita dos meios de comunicação tradicionais, como a TV, o rádio e as revistas. Contudo, a internet e os conteúdos online estão ganhando cada vez mais verbas das assessorias de imprensa. E não é à toa: são os serviços que mais crescem em número de acessos, tomando espaços importantes antigamente ocupados pelas outras mídias.

Divulgar seu conteúdo ou site na internet gratuitamente para atrair uma grande visitação é uma das receitas básicas para fazer dinheiro com conteúdo grátis. Estão aí os blogs que vivem de Ad Sense do Google que não nos deixam mentir. Idem o Facebook. E já existem até autores que preferem publicar seus livros gratuitamente para ganhar dinheiro com a publicidade que as suas visitas trazem.

 

4- Unir mundos e escolher os clientes a pagar a fatura

É o que muitos aplicativos na nuvem fazem: permitem o uso e a popularização de um serviço para cobrar, por exemplo, apenas daqueles que podem ver na adoção dessas ferramentas uma forma de alavancar seus próprios negócios. Neste caso, a venda de ferramentas adicionais para tirar melhor proveito de um conteúdo gratuito também pode ser um modelo viável, o que une um pouco da realidade descrita no terceiro item com a do segundo. O Google é perito neste tipo de estratégia.

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