Análise do acordo entre Google e China

Independente do veto que o Google recebeu para certos tipos de pesquisas na China, qualquer censura pode ser derrubada na Internet; Quer queiram ou não

Por Leandro Mantovam em 04/Fev/2010

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Acabei de voltar de férias nos Estados Unidos. Lá, o que mais se falava (além do Haiti, é  claro), é do acordo do Google com as autoridades chinesas - depois dos ataques sofridos a contas de e-mail do Gmail pertencentes a ativistas pró-democracia na China. 

Tirando a parte ideológica da situação, é necessário considerar que a China é um país emergente em muitos aspectos; a  segurança na Internet, principalmente de seus dados e senhas, é crucial. Existem diversas maneiras de controlar o que é falado em e-mails, filtros de conteúdo de websites, indicando o que pode e o que não pode ser acessado, conversado etc. Mas, claro: quando existe uma regra, existem também as exceções. 

O MSN é um programa muito difundido na Internet; porém, como o protocolo não é criptografado, é muito fácil monitorar seu conteúdo com softwares como o WinConnection Em português, por exemplo. Procurar aplicativos menos usados seria a solução ideal? Provavelmente, não. O bom e velho ICQ Em português Bronze também pode ser controlado via aplicativos instalados em gateways, como o WES - IM Filter.  O usuário pode ser monitorado sem nem fazer ideia disso. 

Para tentar conversar com alguma segurança, há o Skype 5 Em português Ouro No ranking semanal, que tem criptografia entre as pontas - o que faz com que seja complicado o monitoramento das conversas e também dos dados trafegados.  Devido a essa criptografia, muitas empresas decidem bloquear completamente o Skype em suas redes; afinal, se não podem ter acesso às informações, é preferível não ter a ferramenta na rede. 

O UltraSurf é um velho conhecido dos Administradores de Rede e pode ser usado virtualmente em qualquer lugar (até na China)  para navegações criptografadas. O princípio é muito simples: utilizar como recurso a captura de conexões HTTP (que são texto), transformá-las em HTTPS (o mesmo texto,  mas criptografado) e descriptografá-las em algum ponto seguro em uma rede aberta.  Simples, não é? 

E-mails podem ser um problema para você? Tente o popular PGP (Suspenso) Ouro, um programa que, desde a época jurássica da Internet, criptografa discos e e-mails para os mais neuróticos. Além disso, outras garantias de segurança ainda podem ser adicionadas, como um gerenciador de senhas que gera senhas complexas e seguras (um exemplo é o Sticky Password). 

Para finalizar, a pergunta que todos devem ter em mente: será mesmo que o Google foi cooptado pelo Governo chinês? Formalmente, ele fez um acordo que, entre outras particularidades, limita o acesso a determinados temas em seu mecanismo de procura (como "massacre da paz celestial", "democracia" etc.). No entanto, na prática, muitos sabem que há meios de driblar a segurança do governo chinês, com a ajuda de certos aplicativos. 

É preciso considerar que o acordo ajuda o Google a enfrentar o "Baidu" (mecanismo de busca made in china), que detém boa parte do gigantesco mercado interno chinês e consegue contentar  os dirigentes do país. Até que ponto essa é uma opção confiável é um assunto discutível; mas, como dito anteriormente, as tantas contradições são o que compõem uma China de muitos aspectos - democráticos ou não. 
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Leandro Mantovam
Leandro Mantovam, formado em Direito em 1998, trabalha na área de segurança em TI há 15 anos. Desde 1999 é sócio diretor da Winco Sistemas Ltda, escritório associado da AVG Technologies no Brasil

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