
Há uns dez anos atrás, eu morava em um edifício no bairro Perdizes, em São Paulo/SP. Por absoluta falta do que fazer, todos os fins de semana reuníamos uma galera para passar a noite jogando Mau Mau. Eu nunca fui um grande fã de baralho, tanto que praticamente só sei jogar Buraco. Paciência também, mas aprendi esse último com o Windows 3.11. Mas esse jogo era "animal", pancadaria pura. É o tipo de jogo que mexe com as emoções: você planeja cuidadosamente sua estratégia, está prestes a ganhar, quando recebe de um adversário uma carta "bomba", é obrigado a comprar um monte de cartas, toda sua estratégia vai para o espaço, e você acaba ficando "pê da vida". Da mesma maneira, é delicioso aniquilar as pretensões de vitória de um adversário. Mantendo as proporções óbvias, acho que podemos compara-lo a jogos como Age Of Empires.
As regras são simples. Você deve tentar jogar uma carta de mesmo naipe ou de mesmo valor à carta na mesa. Se não tiver, então compra uma carta e passa a vez. Existem 5 cartas especiais que são:
7: quando jogado força o próximo a jogar outro 7. Se não tiver, deve comprar três cartas e passar a vez. Caso contrário, se também jogar um 7, força novamente o próximo a jogar outro 7 ou então a comprar seis cartas. E assim por diante...
Ás: pula a vez do próximo.
9: força o anterior a comprar uma carta.
Q (Dama): inverte o sentido do jogo.
J (Valete): Funciona como um coringa, pois pode ser jogado a qualquer momento (exceto sobre um 7) e seu naipe não tem valor. Quando jogado, quem jogou escolhe o naipe da carta que o próximo jogador deverá jogar.
Quando você estiver com duas cartas, antes de jogar uma delas, você deve dizer "Mau Mau". Se esquecer, alguém falará "Mau Mau" por você, obrigando-lhe a comprar três cartas. Se você disser "Mau Mau" em um momento errado, também vai comprar três cartas. Ganha o jogo quem acabar as cartas primeiro.
 O jogo |
No nosso jogo, ainda utilizávamos uma regra adicional, criada por nós mesmos. O jogo original não possui os coringas, mas os adicionamos com o objetivo de torna-lo ainda mais emocionante: quem recebe um "bobo" é obrigado a comprar cinco cartas. Tinha um vizinho que jogava com a gente, mais conhecido como "Gordo"... Os coringas pareciam estar todos sempre em suas mãos. O jogador a seu lado, fosse quem fosse, podia falar "Mau Mau" à vontade, anunciando a eminência de uma vitória. Mas todos olhavam para o Gordo: sua cara se transformava em um sorriso sádico, do tipo "esse está ferrado quando chegar a minha vez", e não dava outra, gritava "Bobo", gargalhava e soltava a bomba. De qualquer forma, com ou sem a nossa regra, o jogo é ótimo e viciante, de forma que passávamos madrugadas inteiras jogando.
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