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Projeto de lei quer proibir uso abusivo de palavras estrangeiras em produtos, nos veículos de comunicação e na publicidade

Por Adriano Imperatore Ribeiro em 04/Jun/2001

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O direito de expressão é sagrado e, ao escrever esta matéria, pude perceber o quanto é ruim ter que escrever tomando extremo cuidado com cada palavra. O texto perde a naturalidade, até parece que não fui eu quem o escreveu. Se a língua portuguesa está sendo descaracterizada, isso faz parte da evolução. Tudo tem seu ciclo: até o latim, que originou o português, é hoje considerado uma língua extinta. Além do mais, temos que admitir que existem, no Brasil, diversas línguas portuguesas. Cada região do país acabou incorporando novas palavras, e muitas vezes, mesmo sabendo o português, acabo não entendendo nada. Durante a pesquisa para esta matéria, acabei localizando um dicionário de baianês, ou seja, conforme o autor do site, tratam-se de termos que são comuns na Bahia. Mas a grande maioria deles não me são familiares. Por exemplo, você sabe o que é apreçar? Não, não escrevi errado, não é apressar. É apreçar mesmo, que significa "procurar saber o preço". A lista de palavras exóticas é grande: aparadeira, apoquentado, arabaca, arerê, armengue, atoleimado, aluado... isso pra ficar só na letra A... Também procurei um dicionário de "gauchês", mas infelizmente não encontrei. Mesmo paulistas e cariocas têm expressões somente compreendidas em suas terras de origem. Não há como escapar das expressões regionalistas.

Há, também, a comunicação de profissionais da mesma área, a chamada linguagem técnica. Advogados ou médicos falando tecnicamente são uma desgraça: ninguém entende nada. "Meretíssimo: ACTORE ONUS PROBANDI INCUMBIT!". Nunca um homem humilde do campo, que é quem Rebelo tenta defender em uma das notícias que pesquisei, conseguiria entender uma única palavra em latim e outros termos jurídicos utilizados por advogados. Ou, após um acidente, compreender o que lhe diz o médico, que foi necessária uma ressecção mas que, após uma instilação, tudo acabou bem.

Finalizando, acho que existem assuntos mais importantes e mais urgentes que ficar pensando em defender uma língua que nem ao menos é nossa. Como não encontrei a notícia que li há duas semanas, publiquei abaixo duas notas parecidas, mas do ano passado.

Links relacionados:

  • O Estado de São Paulo.
  • O Povo.
  • Dicionário de Baianês.
  • Termos e expressões latinas de uso jurídico.
  • Termos jurídicos.
  • Mais termos jurídicos.
  • Termos utilizados em técnicas cirúrgicas.
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