O que é software livre?

Em muitas ocasiões, software livre é visto como sinônimo de Freeware. Entretanto, este ponto de vista é completamente errado. Veja quais são as diferenças neste artigo

Por Christiano Anderson em 17/Nov/2009

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Como primeiro artigo desta coluna, nada melhor do que iniciar explicando um pouco o real significado do termo "Software Livre" e alguns mitos e dúvidas comuns em relação a este assunto. Software Livre não está diretamente relacionado a software gratuito, fazer essa associação é um erro bastante comum. Pela definição da Free Software Foundation, para um software ser considerado livre, precisa atender a quatro tipos de liberdade e não ter nenhum outro fator que interfira nestas liberdades básicas. São elas:

Liberdade número 1: A liberdade para executar o programa para qualquer propósito; Isto significa que ao instalar o programa, não há nenhum tipo de restrição quanto ao seu uso. Você não deve satisfações a ninguém e o aplicativo é seu.

Liberdade número 2: A liberdade de estudar o programa, suas funcionalidades e adaptá-lo às suas necessidades; Para que seja possível estudar, é necessário ter acesso ao código fonte e todas as dependências deste programa.

Liberdade número 3: A liberdade de redistribuir, inclusive vender cópias; No software livre, você é incentivado a redistribuir seus programas preferidos. Se conhece um amigo que necessita de um software livre para um determinado fim, ao copiar em um CD e entregar a ele, você não estará cometendo nenhum crime. É possível também vender cópias, isso quebra um mito que software livre é gratuito. Todos nós sabemos que existe custos em distribuição, como por exemplo custo da banda larga para disponibilizar o download do programa, custo de mídias de CD para gravação e até o custo das horas que você gastou ao compilar e criar uma imagem deste programa.

Liberdade número 4: Liberdade de modificar o programa e redistribuir suas modificações; Isso significa que você tem toda liberdade para modificar, melhorar, adaptar todas as funcionalidades de qualquer programa e redistribuir suas modificações. Naturalmente para que esta liberdade seja viável, é necessário acesso ao código fonte e todo conhecimento de programação para que seja feito.

Estudar as quatro liberdades básicas do software livre esclarece muitas dúvidas ao seu respeito e quebra alguns mitos comuns, principalmente no que diz respeito a ser gratuito ou não. A principal diferença é a quebra do paradigma de software como produto, o que é muito comum na indústria de software, que sobrevive de vender licença de uso de suas caixinhas com aplicativos, passando a imagem de software como produto. No software livre, não é um produto, mas uma forma de trabalhar e vender conhecimento, como fazem os advogados, médicos e psicólogos por exemplo. Quando alguém procura um destes profissionais, não sai de seus escritórios ou consultórios com uma caixinha, mas com a solução intelectual de algum problema.

Assim como advogados, os profissionais de software livre prestam consultoria e trabalham com conhecimento, modificação de softwares já existentes ou criação de novos. Um exemplo clássico de personalização, que atende a praticamente todas as necessidades, é o grande número de distribuições GNU/Linux, são mais de 100 distribuições ativas, segundo ranking do Distrowatch. Entre estas distribuições, muitas são suportadas por grandes empresas, como RedHat, Canonical, IBM, Sun, Novel entre outras. Essas empresas apostaram no software livre e foram bem sucedidas.
    
Isto mostra que apostar em software livre pode ser bastante lucrativo. Nos próximos artigos, você entenderá melhor como o software livre pode ser útil às pessoas e organizações, conhecerá os principais programas e entenderá como funciona o esquema de licenciamento. Até a próxima coluna!

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Christiano Anderson
Christiano Anderson é certificado LPI níveis I e II, trabalha como consultor de software livre a mais de 10 anos, é palestrante em eventos de software livre, colaborou com diversos projetos, entre eles o Projeto GNU e comunidade Python. Seu Twitter é http://twitter.com/dump/ e mantém um blog em http://christiano.me/

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