Unidos contra a supremacia do Joost
Niklas Nennström e Janus Friis, os criadores do Kazaa e Skype, conseguiram mais uma vez um feito capaz de revolucionar a internet. Essa afirmação se refere ao badalado Joost, mas pouco tem a ver com seus 150 canais repletos de efeitos.
Por Marcio Lima em 13/Ago/2007
Niklas Nennström e Janus Friis, os criadores do Kazaa e Skype, conseguiram mais uma vez um feito capaz de revolucionar a internet. Essa afirmação se refere ao badalado Joost, mas pouco tem a ver com seus 150 canais repletos de efeitos. Na verdade, a revolução está na mobilização de pioneiros e iniciantes no segmento de vídeos dispostos a entrar com tudo na disputa pela audiência. Trata-se de uma luta que envolve milhões de dólares e esforços de gigantes como Google e Microsoft, e quem sobressair como líder herdará todo o poder que a televisão exerceu durante anos.
O verdadeiro revolucionário
Os desenvolvedores do Joost que me desculpem, mas para ser bem franco os únicos que podem ostentar a alcunha de revolucionários na internet são os jovens estudantes da Universidade de Stanford que simplesmente conseguiram inventar um meio de exibir vídeos na internet. Além disso, Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim colaboraram para um novo modelo de web que convida o internauta a participar da criação do conteúdo. Se mesmo diante de todas essas afirmações ainda houver alguma dúvida acerca do que realmente é inovador só temos a dizer que o YouTube pode ser apontado como insuperável na medida em que se tornou uma ferramenta de trabalho para blogueiros, matriz para novos produtos como o Music Tonic, além de fazer o Google se render e desembolsar uma fortuna para sua aquisição.
Escassez de convites
Foram meses de espera e dias buscando na net meios de acessar o serviço. Vários usuários literalmente imploraram pelos convites oferecidos por alguns privilegiados beta-testers. De convites em mãos alguns literalmente se decepcionaram com o simples fato de simplesmente não conseguir visualizar um filme com duração de 1 minuto em decorrência de limitações de conexão. O status de novidade que sempre rende o foco das atenções por algum tempo se enfraqueceu muito antes do que se imaginava.
O que restou ao entusiastas do Joost foi levantar a bandeira da qualidade da programação em detrimento e enxurrada de vídeos virais que conseguiram ganhar notoriedade, trazendo fama aos anônimos e suas limitações de comunicação, divulgando produções independentes protagonizadas por grandes estrelas do teatro e transformando canções incidentais em verdadeiros hits.
Uma questão de qualidade
Os profissionais do Joost optaram por veicular apenas uma programação de alto nível, seguindo o modelo da TV por assinatura. Trata-se de uma iniciativa que vai de encontro a todas as tendências ditadas pela Web 2.0 que oferece aos usuários a oportunidade de participar ativamente da criação do conteúdo. Diante disso, em vez de literalmente ignorar toda a criatividade dos usuários alguns serviços resolveram oferecer ferramentas online para edição do vídeo e outros resolveram investir milhões para agregar o que existe de melhor em meio a essa imensidão de produções que surgem todos os dias. A aposta de Joost pode se configurar como um tiro n´água ao levar-se em consideração dados que mudaram o comportamento que transformaram telespectadores em atores e produtores.
Outros rivais de peso
Joost está cercado de rivais de peso, alguns até silenciosos. De maneira discreta a Microsoft entrou na disputa por meio de duas ações. A primeira é o lançamento do Soapbox que possui basicamente as mesmas características do YouTube, mas que não goza da mesma popularidade. Mas talvez a iniciativa mais importante esteja no investimento em uma tecnologia chamada Silverlight que promete superar o Flash, que hoje domina o padrão utilizado em quase todos os sites de vídeo além de desenvolver os aplicativos utilizados por muitos sites streaming, como é o caso do Windows Media Player.
De olho na tendência, a rede de TV CBS Columbia Broadcasting System resolveu comprar o Last FM para entrar na briga utilizando sua programação e a fidelidade de 20 milhões de telespectadores em todo o mundo. Bittorrent e Pando, os maiores representantes de compartilhamento de arquivos, lançaram recentemente seus serviços de distribuição de vídeo.
Além de ser detentor dos direitos do maior site de vídeo da internet, o Google ainda possui um serviço que além de exibir, atua como agregador de vídeos. E por falar em agregador, surgiu recentemente no cenário brasileiro uma grande estrela chamada WeShow. Com um investimento milionário o portal apresenta para o público de 3 países, inclusive o Brasil, o que existe de melhor em vídeo na web com a ajuda de uma rede de usuários que navegam em tempo integral em busca de material interessante. O Weshow ainda aposta em um formato próximo da TV, mas se mantém fiel à idéia de manter os usuários como colaboradores. A prova disso está no prêmio oferecido para os melhores vídeos.
Para quem deseja ter acesso ao conteúdo genuinamente brasileiro é possível destacar dois representantes. Para quem gosta de vídeos de música a melhor opção é o MTV Overdrive com programas da MTV Brasil e Clips de artistas do mundo inteiro. Outro boa opção é o Videolog que se tornou recentemente um parceiro do portal UOL. Com todas essas opções uma coisa é certa: será uma briga boa de assistir.
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